A propósito da praxe académica

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Sou a favor da praxe, muito especialmente da praxe coimbrã, porque a entendo como fazendo parte de um património cultural que nos individualiza.

Foi por isso, que na segunda metade de 70, lutei pelo ressurgimento da Praxe e do Fado, em Coimbra, ambientes muito adversos.

Venceu a “alma da cidade” – e, hoje, a Praxe e o Fado são património cultural da humanidade.

 

No início de cada ano escolar repetem-se as críticas às praxes académicas universitárias. E algumas, mais radicais, defendem mesmo o fim da praxe.

Também critico alguns comportamentos. Não entendo como gente supostamente de cultura acima da média assume comportamentos puramente animalescos.

Mas não vou atrás dos que – a propósito de uma ou outra situação condenável – tentam decretar o fim da praxe. Nem por sombras.

 

A este propósito, deixem-me contar uma “estória” e tirem as conclusões que entenderem…

 

Há precisamente 21 anos, em Setembro de 1992, o JN enviou-me para Paris durante 10 dias para fazer a reportagem do referendo francês ao Tratado de Maastricht.

Tive de desunhar-me para encontrar motivos de reportagem para tantos dias, para além do relato dos comícios, que eram sempre altas horas da noite.

Num dia, meti-me no comboio e fui a Saint Germain-en-Laye, a uns 40 km de Paris, entrevistar Artur Jorge, na altura ex-seleccionador português e treinador do Paris Saint-Germain. [Um episódio que merecerá uma crónica noutra altura, dada a forma cordial como decorreu a entrevista e o desfecho que teve.]

Noutro dia, entrei num táxi conduzido por um português e este diz-me ter uma filha que acaba o curso universitário nesse dia e que isso é motivo de festa na faculdade. [Fiz uma reportagem sobre o facto dos portugueses já só conduzirem táxis de dia; à noite, eram os magrebinos – marroquinos, argelinos, etc.]

Peço-lhe que me leve lá. Já não recordo qual a Universidade, talvez Paris IV, talvez outra…

Chego lá e o que vejo? Os novos doutores num pátio e os amigos e familiares nos varandins. E que mais? Jovens estudantes vendiam aos amigos e familiares ovos de galinha, a 1 franco cada.

E qual era o objectivo? Acertar com os ovos nos recém-licenciados!

Imaginam o “cenário”…

 Era finais do século XX, em Paris, Cidade da Luz, capital de um país culto.

paris

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