Sexta-feira. Café. 9 da manhã.

– Um descafeinado, por favor.

Chegou rápido. Bebi. Olhei o jornal. Dirigi-me à caixa para pagar.

No balcão, publicidade variada. Explicações, quartos para alugar, espectáculos. E bilhetes-convite para o jogo da Académica. Peguei em dois, podia ter pegado em mais.

À noite, combinara-se um jantar de amigos.

O jogo era às 8 e um quarto. Os bilhetes, portanto, eram para dar a um ou outro conhecido com quem me cruzasse durante o dia.

Ofereci-os duas vezes, não os quiseram. Ficaram no bolso do casaco.

Lá pelas 5 da tarde, um telefonema: o jantar de amigos tinha sido adiado. Assim, de um momento para o outro, esfumara-se o programa para a noite.

Lembrei-me dos bilhetes. Meti a mão no bolso, estavam lá.

Vestido para o jantar, fui para o estádio. Cheguei com tempo, estacionei mesmo ao lado da igreja. Faltava uma hora. Outro descafeinado.

Às 8 levantei-me. Pouca gente, entrada sem dificuldades.

Bancada central, lugar razoável. O jogo foi fracote. A Académica poderia ter ganho mas perdeu. Faltou qualidade, emoção. Só se ouviam os jovens do lado nascente, lá na ponta.

Noite quente para Outubro. Bem boa.

No fim, a claque parece que insultou os de preto. Não ouvi. O que vi foi alguns jogadores dirigirem-se aos adeptos como que a pedir desculpa. Não gostei do episódio. Nada, nadinha. Soube-me a humilhação.

Calmamente como entrara, saí do estádio.

A pensar que, contas feitas, nem tinha sido dinheiro mal empregue: 65 cêntimos por um descafeinado e hora e meia de futebol, apesar de fraquinho, fracote, nem se pode considerar um mau negócio.

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