Promessa eleitoral de Manuel Machado
Promessa eleitoral de Manuel Machado

À primeira vista, parece inacreditável.
Com o país à beira da bancarrota (sem saber se vai existir 2.º resgate ou programa cautelar de assistência financeira), o Estado continua a gastar o que tem e o que não tem. Sacrifícios?… Isso é coisa apenas do “Zé”, que não afecta o “país político” .
Os exemplos são vários. O último está fresquinho e tem origem em Coimbra.
O novo presidente da Câmara Municipal apresentou uma proposta, aprovada na reunião de ontem, que aumenta o número de vereadores com pelouros (logo, a receberem dinheiro dos cofres da autarquia) de cinco para sete.
[Referem os jornais que serão vereadores a tempo inteiro, esquecendo-se de informar os leitores de quanto significa, em termos de dinheiro gasto, tal decisão.]
Numa Câmara em que os vereadores têm automóvel, e motorista, para se deslocaram de casa para o emprego (regalia que primeiros-ministros europeus não têm!), começam assim a agravar-se os sintomas de despesismo. Numa altura em que a generalidade da população vive a mais grave crise de décadas, repita-se.
Ironicamente, poder-se-ia escrever que Manuel Machado começou a cumprir uma das suas promessas: “Mais emprego”. E acrescente-se que começou com vigor: alargar o número de vereadores com pelouro de cinco para sete é um aumento de 40%. É obra!
Termino como comecei: parece inacreditável.
Em tempo – A Câmara de Condeixa, também liderada por um socialista, decidiu igualmente alargar o número de vereadores a tempo inteiro de três para quatro, o que no caso significa um aumento de 33%.
Sobre este assunto, os vereadores do PSD tomaram a seguinte posição:
http://re-visto.com/posicao-dos-vereadores-do-psd-sobre-a-nomeacao-do-vice-presidente-e-sobre-a-fixacao-de-3-vereadores-a-tempo-inteiro-na-camara-municipal-de-condeixa/
[Actualizado em 29/10/2013]
ESCLARECIMENTO
Há comentários, anónimos, que estão bloqueados e não serão publicados. Repito o que já aqui escrevi: eu dou a cara, quem quiser comentar deve fazer o mesmo. É o mínimo que se exige. (E quem não gostar deste princípio tem muita Internet por onde navegar…)
De qualquer modo, estão publicados alguns comentários sem identificação, porque não são agressivos (nem mal-educados) ou ajudam a entender o “estado de espírito” da comunidade – os que gostam e os que não gostam daquilo que escrevo.
Eis um deles: «Mário, compreendo que esteja revoltado com a vida neste momento, eu também estou! mas considero-o um profissional e esses números de 40% em vez de “aumenta 2” é claramente revista cor-de-rosa! Ainda para mais fique a saber que esses vereadores extra não são socialistas! Mais ainda, que esses custos extra que fala provavlmente não acontecerão!»
Este comentário permite-me esclarecer duas situações:
1. Eu não estou revoltado com a vida, nem com ninguém. Continuo a ser a mesma pessoa. Estou desempregado, é certo. Mas nestes nove meses concluí um mestrado pré-Bolonha (o trabalho tem 310 páginas) e lancei este blogue. Não me parece mal… E há ideias na cabeça e projectos que talvez venham à luz do dia. É verdade: continuo à procura de trabalho, apesar de ter direito a subsídio de desemprego até… 2016. [E quem sabe quem cá estará nessa altura…]
2. O aumento do número de vereadores com pelouros de cinco para sete é um aumento de 40 por cento. Eu não tive nada a ver com a decisão, como é lógico. Limito-me a saber um bocadito de Matemática. Apenas isso.
[publicado como comentário em 30/10/2013]

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