A reportagem prometida [edição de sexta-feira]
A reportagem prometida [edição de sexta-feira]
Na sexta-feira passada, o Diário As Beiras anunciou que na edição seguinte publicaria uma reportagem intitulada “Um dia com o presidente da Câmara de Coimbra”. Fê-lo ao alto da primeira página, a toda a largura.
No entanto, no sábado, o texto e as fotos que o jornal ofereceu aos leitores abarcavam apenas a actividade do presidente da autarquia no período compreendido entre as 8h00 e as 12h30.
Ou seja: o prometido não correspondeu ao cumprido.
A reportagem... falhada [edição de sábado]
A reportagem… falhada [edição de sábado]
Esta situação permite algumas reflexões no âmbito exclusivamente jornalístico.
1. O jornal teve uma boa ideia: acompanhar o novo presidente da Câmara durante um dia de actividade.
2. Sou a favor de anunciar de véspera algo de relevante que se vai publicar no dia seguinte, porque essa estratégia permite captar leitores, designadamente aqueles que não lêem o jornal todos os dias – aqueles que poderíamos designar por “leitores flutuantes”, que lêem uns dias, outros não.
3. Depois de ter anunciado “Um dia com…” (título que repete no próprio dia da publicação da reportagem), e de não ter publicado aquilo a que se propunha, o jornal passa a dever uma explicação aos leitores. “Um dia com…” não é, logicamente, o período das 8h00 às 12h30.
4. Essa explicação não foi dada. E aquilo que tinha sido uma boa ideia, uma estratégia para captar leitores, transformou-se numa má decisão, que logicamente pode provocar descontentamento em quem compra o jornal.
5. Na mesma edição de sábado, em que dá a conhecer a actividade do autarca entre as 8h00 e as 12h30, o jornal anuncia o seguinte: “reportagem alargada e fotogaleria em www.asbeiras.pt.”. Ou seja, transfere a reportagem do papel para o espaço virtual, seguindo a mesma filosofia de outros órgãos de comunicação. O que é um erro: o leitor que tem o jornal nas mãos, que comprou o jornal, não gosta que lhe digam «Agora vai ler (e ver) o resto à Internet».
6. No entanto, horas mais tarde, e se tiver aceso à Internet numa tarde de sábado [a taxa da população portuguesa adulta que acede à Internet rondará, neste momento, os 45% a 50%], o leitor verificará que a sugestão de pouco vale: não há nem mais uma foto do que aquelas que são publicadas na edição em papel; quanto ao texto, há apenas mais três parágrafos, que reproduzo no final deste comentário. (*)
Em resumo: o que poderia ter sido um “furo jornalístico” acabou por revelar-se, praticamente, um fiasco. E com custos para a imagem do jornal junto dos leitores. Ressalvando a comparação, aquilo que jornalisticamente poderia ter sido “um tiro no porta-aviões”, acabou por ser um… “tiro na água”.
E isto aconteceu porque o Diário As Beiras esqueceu uma “regra de ouro” do Jornalismo, que não deverá estar escrita em qualquer manual mas que todos os profissionais com experiência conhecem bem: só se deve anunciar aquilo que já está garantido.
"Um dia com..." não se pode resumir ao período das 8h00 às 12h30
“Um dia com…” não se pode resumir
ao período das 8h00 às 12h30
(*) TEXTO QUE NÃO FOI PUBLICADO NA EDIÇÃO EM PAPEL MAS QUE ESTÁ DISPONÍVEL ON-LINE
Por fim, há tempo para chamar a responsável pelo apoio às freguesias e dizer-lhe que este serviço vai ficar na dependência dodepartamento de obras e gestão de infraestruturas municipais. “Eu não gosto e não quero tutelas difusas”, remata Manuel Machado.

Almoço no Cantinho do Reis
Já passa das 13H30. Hora de almoço que, para não variar, vai ser no Cantinho do Reis. Com Manuel Machado seguem para o Terreiro da Erva os vereadores Carlos Cidade e Carina Gomes, o chefe de gabinete Nuno Mateus, a secretária do gabinete Zara Ilieva, o assessor de imprensa e a motorista.
O restaurante está cheio mas José Reis resolve o problema num ápice. E, enquanto se avia a travessa de petinga e a panela de sopa da pedra, há ainda tempo para lembrar alguns compromissos da campanha eleitoral. Há, todavia, um deles – plantar três árvores por cada voto acima dos 30 mil – que a vontade popular descartou. “Não faz mal, vou cumprir na mesma”, garante Machado, que quer lançar uma campanha de plantação de 1.500 árvores, mas com um detalhe: em vez das que abundam na cidade e que libertam pólenes, causando muitas alergias, vai apostar em espécies diferentes, como por exemplo o sobreiro e o azevinho.

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