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Sexta-feira, 12 Agosto, 2022
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Quando os filhos crescem

(reflexão sobre a educação na família)

apoteoseA apoteose do espectáculo no Coliseu dos Recreios

Na outra quarta-feira dei uma saltada a Lisboa para acompanhar o meu filho na “Noite da Medicina”, o sarau anual dos estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Clássica de Lisboa.

Foi um espectáculo bonito, durante três horas, no Coliseu dos Recreios. Mais do que bonito: em alguns momentos, os participantes pareceram – em vez de estudantes universitários – actores, cantores e bailarinos profissionais, tal a qualidade dos “sketches”, das canções e das danças, servidos por uma cenografia de bom nível, excelente som e criativos jogos de luzes. Mas sem nunca deixar de ser um sarau académico.

[O João prepara-se para concluir o curso de Medicina. Um primeiro (grande) passo no caminho de quem pretende ser cirurgião. Veremos o que o futuro lhe reserva…]

*

O final do curso do João vai ser um marco importante na minha vida e na da minha mulher. Há 30 anos que existimos para os filhos. Foi uma opção de vida, como outra qualquer. A aposta foi clara: em vez de carros e de moradias, ou de viagens por paragens paradisíacas, que porventura nunca teríamos ou nunca faríamos, decidimos investir neles.

Eles, a Filipa e o João, nunca viveram um dia sem a presença do pai ou da mãe; ou de ambos. E essa presença foi o maior investimento, bem maior do que as aulas de inglês que começaram a frequentar (quase… clandestinamente) aos 5 anos de idade, o que lhes dá hoje uma competência linguística pouco vulgar. Ou as classes de música, a equitação, o judo, o futebol, o basquetebol ou os campos de férias no estrangeiro.

A Filipa concluiu Direito em Coimbra, aos 23 anos, com 15 valores, ao mesmo tempo que corria a Europa de ponta-a-ponta para representar mais de meio milhão de jovens como ela, sem que a faculdade lhe desse as mínimas facilidades, ao contrário do que fazia a outros colegas cujo “horizonte associativo” pouco ultrapassava o princípio e o fim da… Rua Padre António Vieira.

Concluiu o curso em 2006 e parece que foi ontem. [E talvez tenha sido mesmo ontem, porque a Universidade ainda não lhe passou o correspondente diploma.] Trabalha em Lisboa há cinco anos, já viu um “plano de negócios” que elaborou para a filial em Londres de uma empresa portuguesa ser premiado pelo reino inglês. E luta pela vida todos os dias, decidida, sem “muletas” de qualquer espécie.

Dentro de meses, tudo o indica, será o João. E partirá à procura do seu espaço profissional, aqui ou em qualquer outro país que lhe abra as portas. Está habituado, tal como a irmã, a enfrentar os próprios desafios.

 Filhos

Ao longo destes anos, sempre lhes disse que, apesar de todo o desenvolvimento tecnológico, iriam ter uma vida pior do que a minha. Eu vivi sempre (posso mesmo escrever, até hoje) de forma despreocupada. Fui seguindo o meu caminho, opção aqui, outra ali, num ambiente de relativa paz. Eles não. Habituaram-se desde pequenos a viver sob pressão: primeiro, a dos “numerus clausus”; agora a do mercado de trabalho.

Também lhes disse que eles teriam de contar, apenas, consigo próprios. Que nunca esperassem que o pai “metesse uma cunha” ou, simplesmente, fizesse uns telefonemas. Mas sempre acrescentei, igualmente, que eles estariam muito melhor preparados do que eu na mesma idade. Têm muito mais mundo, capacidades mais desenvolvidas. Em suma: são muito melhores do que eu fui – e sou.

O final do curso do João é assim como que o encerrar de um capítulo (o mais longo) da minha vida: o da formação dos filhos. Aproxima-se uma nova etapa. E também agora, como aliás sempre tem sucedido, sinto-me em perfeita paz.

Sei, tenho a certeza, que eles são capazes de caminhar pelo próprio pé – e que, por isso, o futuro não lhes mete medo. Uma e outro são autênticos vencedores, que não necessitam, nunca necessitaram, de se agarrar às calças do pai ou às saias da mãe. Nem, sequer, ao apelido – como se não fosse ele dos mais vulgares em Portugal.

Hoje é gratificante verificar que o sonho de há três décadas se transformou em realidade. O mérito será de todos – mas é, sobretudo, deles. Da Filipa e do João. Os meus (enormes) dois ídolos.

A “Dança dos Cirurgiões” em que participou o João Afonso

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