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Um jovem que certamente sonhava vir a ser “craque” no futebol morreu ontem à tarde em Touriz em pleno jogo. Contava 20 anos. Uma tragédia.

Natural de Esposende, jogara no Rio Ave e no FC Porto, onde foi “capitão” da equipa campeã nacional de juvenis (sub-17) em 2009-2010. A passagem por Touriz era uma etapa na formação como profissional de futebol, à semelhança de tantos outros jovens com o mesmo sonho.

Das razões da morte se ocupará a Medicina.

A tragédia de ontem, mais uma em recintos de futebol…, permite porém reflectir sobre a prática desportiva – e sobre uma educação para o desporto que praticamente não existe em Portugal.

Ideia fundamental: o desporto não dá saúde e, muitas vezes, nem sequer faz bem à saúde. Desde há muito que tenho esta noção bem presente, sobretudo depois de um dia ouvir o Prof. Manuel Sérgio, vulto maior da cultura desportiva portuguesa, afirmar algo como isto: «Se o desporto dá saúde, então fechem-se os hospitais e construam-se pavilhões desportivos».

A prática desportiva de alto rendimento comporta muitos riscos.

E alto rendimento não é, apenas, praticar desporto em campeonatos mundiais ou em Jogos Olímpicos. Alto rendimento pode ser aquele nosso filho, ou o nosso vizinho, que treina quatro (ou até cinco) vezes por semana e participa em competições ao fim-de-semana.

O “efeito Figo”, agora ampliado pelo “efeito Cristiano Ronaldo”, leva muitos pais e mães a desejar ter um filho “craque da bola”. É um desejo legítimo.

No entanto, ao mesmo tempo, não conhecem os riscos que a prática desportiva comporta e “esquecem-se” de lutar por um acompanhamento médico adequado às exigências da competição – a nível da alimentação, dos tempos de repouso, dos cuidados dispensados por cardiologistas, fisioterapeutas e massagistas. Para além, claro, da necessidade de um enquadramento técnico de qualidade.

Praticar desporto não é tão simples como correr atrás de uma bola, contra um cronómetro ou tentar derrubar um adversário no tapete da competição. É muito mais do que isso.

Ainda não se conhecem as causas da morte do jovem futebolista, mas a tragédia de Touriz pode ser momento de partida para uma reflexão sobre a prática desportiva e a forma como para ela olhamos. Sobretudo aqueles que, tal como eu, têm um filho apaixonado pelo desporto.

Descansa em paz, Alex.

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