Rui RioRui Rio: um teorizador do Jornalismo?

Rui Rio, político, parece mais interessado em definir o conceito de Jornalismo do que em clarificar a responsabilidade dos políticos no estado de bancarrota a que chegámos. E não me refiro, apenas, ao aspecto económico-financeiro: refiro-me à ética política, à acumulação de negócios públicos e privados, etc., etc.. À falta de vergonha, em suma.

O ex-presidente da Câmara do Porto parece não compreender que a Comunicação Social, factor basilar das sociedades democráticas, desenvolve a sua acção em ambiente de total liberdade. Sem quaisquer condicionamentos para além dos definidos na Lei. E que mais não cabe ao Poder Político do que definir o quadro legal em que a Comunicação Social existe. Nada mais.

Ontem, no Porto, num debate promovido pelo “Expresso”, Rio afirmou que a Comunicação Social é uma das «responsáveis da degradação do regime democrático». Escreve o “Público”: «Rio considera que o jornalismo “cumpre o seu papel” mas “não cumpre o seu papel da forma como devia” e por isso tem “sido também um dos responsáveis da degradação do regime democrático em Portugal”».

A Comunicação Social portuguesa não vive dias brilhantes. Mas muitos dos males de que padece têm origem, precisamente, no “aparelho político” que governa o país – dos ministérios às juntas de freguesia.

Por isso, creio que a atitude mais natural é desconfiar quando alguém (e, para mais, um agente político) se mostra tão interessado em definir os conceitos de Jornalismo e de interesse público em matéria de Comunicação Social. Porque a sua posição na sociedade é no “campo oposto” ao do Jornalismo. É da História. É dos livros.

A “paixão” de Rui Rio pelo Jornalismo e pela Comunicação Social não é nova.

Há meia dúzia de anos, em Coimbra, foi ouvi-lo, na esperança de o ver definir novas ideias para o país, novas metas e novos desafios para Portugal, tal como referia tema do ciclo de conferências. Tinha a ideia de que ele poderia vir a ser um líder nacional, rigoroso, de “boas contas”. Um político consistente. Rio, no entanto, ocupou a maior parte do tempo a falar da Comunicação Social, algo de estranho e que me fez pensar numa qualquer “fixação”.

Saí dessa sessão – como referi na altura ao amigo que me convidara para a conferência – com uma ideia clara: este homem nunca terá o meu voto. Porque, em última análise, se assume como perigoso para a própria Liberdade.

No dia em que o Jornalismo tiver de escolher novos rumos, novos caminhos, não necessitará que um político, ou uma maioria política, sejam eles quais forem, lhe determine a direcção da mudança.

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