11 de Fevereiro de 1990. Era domingo.

Estive durante horas defronte do televisor a acompanhar a saída de Nelson Mandela da prisão de Victor Verster, a cerca de 60 km da Cidade do Cabo. Momentos inesquecíveis.

5 de Dezembro de 2013. Ontem.

O presidente sul-africano anuncia às 21h45 a morte de Nelson Mandela.

A morte de Nelson Mandela foi conhecida numa das piores alturas para os jornais. [E também para as televisões generalistas, dado que os principais telejornais já tinham terminado.] Eram 10 da noite e, nessa altura, as edições dos jornais já estão praticamente terminadas, faltando apenas um ou outro “acerto”. Às 10 da noite as Redacções estão reduzidas ao mínimo (nos casos dos jornais regionais, por vezes a um só jornalista). Durante a noite, o tempo corre mais veloz nos jornais. Há horários para cumprir, compromissos com as empresas editoras para respeitar.

Mas é nestes momentos, no entanto, que o verdadeiro jornalista sente maior realização profissional. Por outro lado, a luta contra o tempo e a procura da informação em contra-relógio fazem crescer a adrenalina. Também aumenta a possibilidade de erro, o que leva a uma maior exigência. Nestas situações o jornalista tem de responder a 100%, embora já tenha atrás de si oito, 10 ou mais horas de trabalho.

E tudo por uma única razão: servir o melhor possível o leitor. Essa função (ou esse privilégio) cabe aos jornalistas e a mais ninguém. [Os outros trabalhadores de uma empresa jornalística têm uma “noite normal” igual a todas as outras, com excepção dos paginadores que, porventura, terão de trabalhar até mais tarde do que o habitual.]

6 de Dezembro de 2013. Hoje.

É o dia de analisar o que foi feito e comprovar em que medida os jornais foram capazes de responder ao desafio. É o dia de analisar os resultados do “teste” que constitui uma notícia de repercussão mundial que foi divulgada às 10 da noite. Há “momentos”, portanto, já que os jornais devem estar à disposição dos leitores por volta das 7 da manhã.

Através das capas dos jornais é possível tirar algumas conclusões.

jornais-LucasNos quatro jornais diários regionais que pertencem aos herdeiros de Adriano Lucas, e que são todos impressos na FIG, na Estrada de Eiras, apenas o DIÁRIO DE COIMBRA se refere à morte de Nelson Mandela. Fá-lo na página 7. Trata a notícia com qualidade, juntando-lhe reacções do reitor da Universidade de Coimbra, do presidente da Câmara Municipal e do sociólogo Boaventura de Sousa Santos. Era difícil pedir mais a um jornal regional. [No entanto, e como sempre, a escolha recaiu nos “símbolos da cidade”, sempre os mesmos. Não sei se algum deles, ou todos eles, esteve / estiveram alguma vez na África do Sul. Talvez sim, talvez não. Mas na minha concepção de Jornalismo teria tentado ouvir um ex-emigrante, um investidor, um empresário com ligação directa, e real, ao país africano. A hora da notícia, no entanto, condicionaria sempre a escolha dos “protagonistas”.]

Açoriano-e-BeirasO DIÁRIO AS BEIRAS não se refere ao assunto. Estranhamente (dado que nos Açores é uma hora mais cedo do que no Continente), o AÇORIANO ORIENTAL também passa ao lado da “notícia do dia”.

jornais-MadeiraOs dois diários madeirenses dão grande destaque à morte de Nelson, facto a que não será estranha a grande comunidade de naturais da Ilha da Madeira que reside na África do Sul.

jornais-gratuitosOs jornais gratuitos que são distribuídos em Lisboa dão conta da morte do líder sul-africano na primeira. [E ambos contam com a “generosidade” da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que faz publicar anúncios iguais em rodapé…]

Público-duas-capasO PÚBLICO demonstra dinamismo, ao fazer uma segunda capa (embora não refira tratar-se de uma 2.ª edição).

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