Polícia nas escolas2

(Foto: publico.pt)

O sector da Educação está transformado, mais uma vez, em “campo de batalha”. De um lado, o Governo; do outro, alguns sindicatos. Tem sido assim ao longo dos últimos 35 anos.

Do pouco que vi, li e ouvi a propósito do que aconteceu ontem à porta de muitas escolas, retiram-se algumas conclusões.

1. A imagem que é transmitida dos professores para a opinião pública é desprestigiante. Educadores não podem comportar-se da forma como muitos se comportaram.

2. A exigência de qualidade é uma boa ideia em qualquer sector de actividade. Incluindo a Educação, naturalmente. Portanto, a existência de provas / avaliações é, à partida, perfeitamente natural.

3. A prova que os professores foram ontem obrigados a fazer não tem sentido. Aparece desenquadrada, sem justificação plausível. E não garante, de modo nenhum, aquilo que o Governo diz defender: a qualidade do desempenho profissional dos docentes.

4. Se há problemas “a montante” na formação dos professores, eles nunca serão ultrapassados com soluções “a jusante”. Acresce que o grande responsável pela formação de candidatos à docência é o mesmo Ministério da Educação que obriga agora à realização das provas porque quer certificar-se da “qualidade” dos professores que ele mesmo formou.

5. A autonomia universitária (onde se inclui a autonomia do Ensino Superior Politécnico) é uma ideia absurda, que só faria sentido se o Estado definisse com rigor o conjunto de objectivos a atingir. E os fiscalizasse. O que sucede, no entanto, é que – na generalidade – cada escola superior parece ser uma espécie de “quinta”, financiada quase a 100% por dinheiros públicos mas a funcionar como se fosse uma entidade privada.

6. Em termos políticos, continuamos a viver a “idade das trapalhadas”, que começou com o Governo presidido por Santana Lopes. E a falta de capacidade de comunicação entre quem governa e quem é governado nunca foi tão grande como actualmente (o que, aliás, é uma característica dos governos PSD).

7. Em termos globais, o Governo segue a lógica que caracteriza a sociedade: em caso de “confronto de interesses”, penalizam-se os jovens.

8. A terminar, uma nota pessoal (fui professor e “professor de professores” durante 13 anos). Cada vez recordo com maior orgulho os anos em que literalmente vivi na Escola do Magistério Primário de Coimbra, autêntica escola de formação de profissionais de Ensino. Quando a fecharam fiquei com a sensação de que tinha sido cometido um crime. Hoje tenho a certeza: foi mesmo crime.

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