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NORBERTO PIRES *

Estive a ler um texto de 25 páginas, contando com capa e índice, intitulado “Portugal Acima de Tudo”, e que começa com a mesma citação, pretensamente de Francisco Sá Carneiro, que Paulo Portas usou, no dia 12 de Julho de 2013, na Assembleia da República para justificar a irrevogabilidade da sua existência política: «Primeiro o País, depois o Partido e por fim a circunstância pessoal de cada um de nós». Talvez a ideia seja mostrar unidade com o parceiro de coligação, partilhando citações, o que já de si seria estranho. Mas o mais difícil de entender é que Pedro Passos Coelho cite mal o fundador do PSD que dizia, e bem, «Primeiro o País, depois a Democracia e só depois o Partido», optando pela versão de Portas na qual ele introduz, como em tudo, a sua «condição pessoal».

Achei um texto com poucos motivos de interesse, mas, com algum esforço, encontrei razões para 5 comentários:

1. Os autores do texto não fazem a mínima ideia do que fazer a partir de Maio de 2014. Ok, isso é legítimo, mas podiam pura e simplesmente dizer isso e poupar-nos o trabalho;

2. Os autores falaram duas vezes em I&D, associando a empreendedorismo e inovação, mas nunca falaram em ciência e conhecimento. Começa a ser penoso;

3. Gostei de ler coisas como «Torna-se, por isso, indispensável trabalhar melhor para atingir as metas e criar os instrumentos de redução das emissões de gases de efeito de estufa, num quadro de equidade de esforços entre todos os sectores e num contexto de ponderação de custo-eficiência», na secção de 1,5 páginas dedicada à “Agenda para o Crescimento e Emprego”. Veio-me à cabeça a palavra “inconseguimento”, não sei bem porquê;

4. Gostei de ler também que «Nos seus 40 anos de história, o PSD foi um partido liderante na confrontação com os grandes problemas nacionais e mais uma vez liderará um profundo e alargado debate na sociedade portuguesa na busca de respostas sistémicas e eficazes capazes de inverter o ciclo de declínio demográfico, gerar mais e maior integração dos seniores num envelhecimento activo e ainda proporcionar uma distribuição geográfica da população que promova o equilíbrio e coesão territorial. Queremos fazê-lo integrando o complexo debate científico em curso na Europa e no resto do mundo. E queremos também aprender com as experiências mais ou menos recentes que alguns países têm levado a cabo», numa secção de 1,5 páginas dedicada à “Agenda para a Natalidade”. Eh! pá, juro que nem sei o que dizer, mas veio-me à memória uma intervenção de Cavaco Silva em que ele perguntava «mas o que é que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?»;

5. Mas a parte que eu mais gostei foram as 5 páginas, ou seja 20% do texto, dedicadas ao “Novo Ciclo Eleitoral”. Nessa secção os autores falam de tecnologia e definem o que querem que seja essa nova APP que eles inventaram e que se denomina “Presidente da República (Versão 3.0)”. São mesmo explícitos do ponto de vista tecnológico: deve correr em plataformas Windows, MAC OS, Linux, etc., (para ser independente) deve ter um grafismo atrativo e muitos efeitos especiais (para ser respeitado), mas não deve servir para rigorosamente nada.

Nota final: A APP “Marcelo Rebelo de Sousa”, uma versão antiga para sistemas operativos já ultrapassados, veio dizer que a migração não era possível, dando, aparentemente, por terminada a sua longa e muito bem-sucedida carreira. Mas nunca se sabe, as tecnológicas modernas são capazes de tudo.

* texto publicado no blogue Rua Direita.

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