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Eu sou o cão que morreu ontem.
Em nada me assemelho a outro ser.
Olho-o nos olhos vítreos, perdidos
e sinto-me em todos os sentidos,
mais próximo de mim, mais fundo,
e é nele que me acho e me comungo
corpo parado a arrefecer.

A hora é vã e gélido o poente.
És tu? Sou eu? Olhando-te me vejo,
único e trágico desejo
de solitário e pobre penitente.

CARLOS CARRANCA
Palácio de Santa Helena (Alfama – Lisboa), 23.I.2014

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