19.1 C
Coimbra
Domingo, 5 Fevereiro, 2023

Anemia [Massano Cardoso]

MASSANO CARDOSO *

A criatividade não tem limites sobretudo quando se pretende melhorar a saúde das pessoas. Em certos países as carências alimentares são uma realidade com consequências nefastas. Em Camboja a anemia por carência de ferro atinge mais de metade das crianças e mulheres grávidas. Para obstar a tão grave inconveniência bastaria cozinhar em potes de ferro, como os que antigamente eram usados pelos portugueses. Mas os cambojanos não têm essas preciosidades.

Houve então um cientista que se lembrou de distribuir pedaços de ferro para serem colocados nas panelas de alumínio para que libertasse ferro para os alimentos e assim contrariar a epidemia de anemia por carência por ferro. O que é que fizeram as pessoas? Olharam para aqueles pedaços de ferro e “viram” que teriam mais utilidade se fossem usados como forma de proteção das portas! Não incorporaram a ideia, simples, e que que poderia ser muito importante.

O cientista não desistiu, e, desta feita, mandou fazer figuras de um peixe em ferro, que naquelas comunidades é considerado como um símbolo da sorte. Passaram a cozinhar com o peixe de ferro enfiado nos potes e panelas. Resultado? Nas aldeias em que foi aplicada esta “técnica” a anemia desapareceu. O peixe em questão é considerado como um símbolo da sorte, saúde e felicidade. Coisa simples, associar a funcionalidade com a cultura popular. Bastou criar um imagem em ferro e colocá-la nas panelas! Uma curiosidade que pode ser replicada noutras partes do Globo, utilizando para o efeito símbolos locais associados com a sorte, com a saúde e a felicidade.

Aqui, em Portugal, não há propriamente epidemia de anemia por carência de ferro. Há outras formas de anemias, anemias graves, anemias sociais, anemias económicas, anemias de caráter, anemias de valores, anemias políticas, anemias de honestidade. Seria tão bom encontrar um equivalente semelhante ao “peixe da sorte sob a forma de ferro” utilizado em Camboja…
Seria tão bom!

* Médico e professor universitário

web-Salvador-Massano-Cardoso

Artigo anterior
Próximo artigo
RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -

Most Popular

Recent Comments

Célia Franco on Redacção da TSF ocupada
Maria da Conceição de Oliveira on Liceu D. Maria: reencontro 40 anos depois
maria fernanda martins correia on Água em Coimbra 54% mais cara do que em Lisboa
Eduardo Varandas on Conversas [Vasco Francisco]
Emília Trindade on Um nascimento atribulado
Emília Trindade on Sonhos… [Mário Nicolau]
Emília Trindade on Sonhos… [Mário Nicolau]
José da Conceição Taborda on João Silva
Cristina Figueiredo on Encontro Bata Azul 40 anos
Maria Emília Seabra on Registos – I [Eduardo Aroso]
São Romeiro on Encontro Bata Azul 40 anos
Maria do Rosário Portugal on Ricardo Castanheira é suspenso e abandona PS
M Conceição Rosa on Quando a filha escreve no jornal…
José Maria Carvalho Ferreira on COIMBRA JORNAL tem novos colaboradores
Maria Isabel Teixeira Gomes on COIMBRA JORNAL tem novos colaboradores
Maria de Fátima Martins on Prof. Jorge Santos terminou a viagem
margarida Pedroso de lima on Prof. Jorge Santos terminou a viagem
Manuel Henrique Saraiva on Como eu vi o “Prós e Contras” da RTP
Armando Manuel Silvério Colaço on Qual é a maior nódoa negra de Coimbra?
Maria de Fátima Pedroso Barata Feio Sariva on Encarnação inaugurou Coreto com mais de 100 anos
Isabel Hernandez on Lembram-se do… Viegas?
Maria Teresa Freire Oliveira on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Maria Teresa Freire Oliveira on REPORTAGEM / Bolas de Berlim porta-a-porta
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Maria Madalena >Ferreira de Castro on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on INSÓLITO / Tacho na sessão da Câmara de Miranda
Ermenilde F.C.Cipriano on REPORTAGEM / Bolas de Berlim porta-a-porta
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on De onde sou, sempre serei
Carlos Santos on Revolta de um professor
Eduardo Varandas on De onde sou, sempre serei
Norberto Pires on Indignidade [Norberto Pires]
Luis Miguel on Revolta de um professor
Fernando José Pinto Seixas on Indignidade [Norberto Pires]
Olga Rodrigues on De onde sou, sempre serei
Eduardo Saraiva on Pergunta inquietante
mritasoares@hotmail.com on Hoje há poesia (15h00) na Casa da Cultura
Eduardo Varandas on Caricatura 3 (por Victor Costa)
Maria do Carmo Neves on FERREIRA FERNANDES sobre Sócrates
Maria Madalena Ferreira de Castro on Revalidar a carta de condução
Eduardo Saraiva on Eusébio faleceu de madrugada
Luís Pinheiro on No Café Montanha
Maria Madalena Ferreira de Castro on Eusébio faleceu de madrugada
José Maria Carvalho Ferreira on José Basílio Simões no “Expresso”
Maria Madalena Ferreira de Castro on Carta de Lisboa
Manuel Fernandes on No Café Montanha
Rosário Portugal on Desabamento na Estrada de Eiras
manuel xarepe on No Café Montanha
Jorge Antunes on Mataram-me a freguesia
António Conchilha Santos on Nota de abertura
Herminio Ferreira Rico on Ideias e idiotas!
José Reis on Nota de abertura
Eduardo Varandas on Caricatura
Eduardo Varandas on Miradouro da Lua
Célia Franco on Nota de abertura
Apolino Pereira on Nota de abertura
Armando Gonçalves on Nota de abertura
José Maria Carvalho Ferreira on Nota de abertura
Jorge Antunes on Nota de abertura
João Gaspar on Nota de abertura
Ana Caldeira on Nota de abertura
Diamantino Carvalho on Mataram-me a freguesia
António Olayo on Nota de abertura
Alexandrina Marques on Nota de abertura
Luis Miguel on Nota de abertura
Joao Simões Branco on Nota de abertura
Jorge Castilho on Nota de abertura
Luísa Cabral Lemos on Nota de abertura
José Quinteiro on Nota de abertura
Luiz Miguel Santiago on Nota de abertura
Fernando Regêncio on Nota de abertura
Mário Oliveira on Nota de abertura