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[Foto: Sentidos de Coimbra]

É sempre de saudar a transferência de conhecimento da Universidade para a Cidade. Um caso concreto foi conhecido esta semana através de um comunicado da Acessória de Imprensa da Universidade de Coimbra: uma equipa de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra (UC), de que fazem parte Carlos Patrão e Paula Fonseca, através do projecto europeu Transparence, vai acompanhar a substituição de 35 mil lâmpadas das luminárias públicas por outras com tecnologia LED (light-emitting diode, ou díodo emissor de luz).

O projecto Transparence visa “aumentar a transparência e honestidade do mercado dos Serviços Energéticos em toda a Europa e, principalmente, facilitar a elaboração e implementação de Contratos de Desempenho Energético (CDE)”, segundo o comunicado da UC. A elaboração de contratos, que envolve 20 países da União Europeia e é financiada em 2,1 milhões de euros por fundos comunitários, pretende regular o desempenho energético, segundo um código de boas práticas, comum para todos os países europeus.

No caso de Coimbra, o concurso público internacional para a instalação de um novo sistema de iluminação, no valor de quase 27 milhões de euros, foi lançado em Março de 2012 pelo anterior executivo camarário, segundo o noticiado pelo jornal Público. Mas o projecto, que afinal deverá rondar os 40 milhões de euros, só deve avançar este ano após a assinatura dos contratos com as duas empresas conimbricenses e vencedoras: ISA e Manuel Rodrigues Gouveia.

Temos assim uma interacção, entre a Universidade, a autarquia e empresas de base tecnológica e de engenharia civil com sede em Coimbra, que visa uma melhor gestão dos custos energéticos públicos da cidade. Através da monitorização dos investigadores da Universidade, e no âmbito daquele projecto, será maximizada a poupança de energia, garantindo que ambas as partes contractualizantes, empresas e autarquia, saibam o que esperar umas das outras com maior transparência.

Concretamente, as empresas ISA e Manuel Rodrigues Gouveia vão substituir toda a iluminação pública da cidade por lâmpadas LED. Estas, mais económicas e eficientes, irão fazer diminuir a factura do município com a electricidade. A autarquia pagará à EDP a electricidade consumida e parte do valor poupado será pago às empresas. Se não houver poupança, as empresas não recebem. Mas o risco destas é calculado e diminuto uma vez que está bem definida a eficiência da tecnologia a aplicar.

A factura da iluminação pública é a que mais pesa no consumo energético dos municípios atingindo mais de 50% em alguns casos. Em Coimbra a factura anual é de 2,8 milhões de euros para iluminar as ruas da cidade. Com a substituição das lâmpadas tradicionais por LEDs a autarquia poderá poupar cerca de 70% daquele custo! Acrescente-se que esta nova tecnologia «melhora a acuidade visual, reforçando a segurança rodoviária e das pessoas em caminhos públicos», explicou Carlos Patrão ao jornal “Público”. Para além disso, Coimbra tornar-se-á a primeira cidade do mundo 100% LED. Acrescente-se que a substituição deverá estar concluída em 2015.

A propósito, e para finalizar, diga-se que as primeiras lâmpadas LED com aplicação prática surgiram em 1962. Mas o primeiro LED foi desenvolvido em 1927 pelo russo Oleg Losev. Mas as investigações científicas fundamentais que permitiram o seu desenvolvimento remontam ao início do século XX, mais precisamente em 1907 com os trabalhos do britânico H. J. Round sobre o fenómeno da eletroluminescência em compostos de silício semicondutor. Note-se a distância de mais de um século entre a investigação experimental fundamental e a sua aplicação no dia-a-dia.

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