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ANTÓNIO PIEDADE *

A espécie humana é social. Estar só, sem contactos sociais e afectivos, é por isso algo contrário à biologia humana. Não é por isso de estranhar que a solidão possa afectar o estado de saúde.

Num trabalho publicado na revista “Neurobiology of Learning and Memory”, cientistas do Departamento de Psicologia da Universidade Nacional de Educação à Distância em Madrid, Espanha, mostram que a solidão prolongada na idade adulta produz alterações cerebrais, prejudicando a memória e a capacidade de aprendizagem.

Os investigadores usaram nas suas experiências, como modelo animal, roedores da espécie Octodon degus. No estudo agora publicado, os cientistas verificaram, nos roedores sujeitos a isolamento prolongado, uma redução substancial no volume do hipocampo, uma região cerebral que sabemos ser fundamental para a memória e para a aprendizagem.

Embora as conclusões do estudo não possam ser extrapoladas directamente para seres humanos, os investigadores sugerem no seu estudo alguns paralelismos. De facto, a investigação parece indicar que as relações sociais entre as pessoas, principalmente nos idosos, representam um factor importante a ter em conta para que o cérebro se mantenha são e para que as funções cognitivas não se deteriorem.

Este estudo vem assim sublinhar a importância da integração activa dos idosos na vida da sociedade, contra a tendência crescente e desumana do seu isolamento. Nesta sociedade em que hoje vivemos, em que a longevidade está a aumentar, fruto dos avanços da ciência e da medicina, importa que os idosos vivam com a qualidade de vida digna de qualquer ser humano. E essa passa muito pela exclusão da solidão no entardecer suas vidas.

Este estudo, que aqui se divulga, é assim uma chamada de atenção à importância da inclusão de todos os idosos na sociedade, de forma activa e participativa.

A propósito, refira-se o papel importante que a Associação Nacional de Apoio ao Idoso tem desenvolvido em Coimbra, assim como o relevante e pioneiro projecto em Portugal designado por Ageing@Coimbra: «Enquanto Região Europeia de Referência, o projecto Ageing@Coimbra deverá identificar, implementar e replicar projectos e programas de boas-práticas inovadoras no domínio do Envelhecimento Activo e Saudável. As boas-práticas identificadas em regiões de referência poderão ser replicadas noutras regiões da Europa, abrindo espaço para a inovação social e para o reforço da competitividade da indústria europeia de inovação no domínio da geriatria e do apoio ao idoso».

Sociabilize-se para envelhecer com maior qualidade de vida.

 * Consultor científico no projecto Ciência na Imprensa Regional / Investigador na Universidade de Coimbra

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