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O anúncio que o Diário As Beiras fez publicar no Diário de Coimbra

[Este é o Capítulo II das memórias sobre o nascimento do Diário As Beiras. O Capítulo I está aqui.]

MÁRIO MARTINS

Quando aceitei o convite para trabalhar no Diário As Beiras incumbiram-me de tratar do Desporto. A decisão de deixar o Jornal de Notícias, onde era o responsável n.º 2 pela secção de Política/Economia, foi tomada no início de Janeiro de 1994, depois de um episódio familiar no Dia de Natal, que me marcou.

O Diário As Beiras – apesar do seu passado de mensário e semanário – não tinha correspondentes! Para trabalhar na secção de Desporto já tinha sido contratado um jornalista (o Mário Nicolau). Havia também um colaborador. Ou seja: os recursos humanos eram manifestamente insuficientes. Por isso, a primeira decisão foi criar uma rede de correspondentes em todo o distrito.

Sugeri, então, que se publicasse um anúncio no… Diário de Coimbra. Apesar de algumas reticências («Eles não vão publicar…», etc., etc.), a ideia avançou e o anúncio foi publicado no dia 31 de Janeiro. A pagar, claro. O Diário de Coimbra aceitou a publicidade, mas foi “maroto”: publicou o anúncio numa página par (a 10) e do lado interior. Ou seja, no pior local possível, em termos de visualização.

O resultado do anúncio foi um sucesso enorme. Quando o Diário As Beiras arrancou, mês e meio depois, o número de colaboradores da secção de Desporto tinha passado de um para mais de 50! E foi com base neste grupo de pessoas dedicadas, que eram tratadas com o máximo respeito (e carinho) sempre que contactavam a Redacção, que o jornal começou a sua caminhada.

Para encontrar correspondentes numa ou noutra localidade, porém, fomos obrigados a deslocar-nos, com os custos inerentes, para “descobrir” e convidar o futuro representante do jornal nesse local. Desta tarefa se encarregaram, quase sempre, o Mário Nicolau e o Francisco Caleira (entretanto recrutado como colaborador a tempo inteiro): iam fazer uma reportagem ou um relato e, ao mesmo tempo, levavam a incumbência de trazer no regresso o nome do correspondente.

O resultado desta estratégia foi positivo. O Diário As Beiras começou a implantar-se graças à cobertura dos acontecimentos desportivos. As “estórias” sucederam-se. E quando deixei o jornal, quatro anos depois, no Verão de 1998, ficaram num móvel expressamente construído para o efeito quase duas centenas de lembranças (galhardetes, medalhas, emblemas, troféus, etc.) que clubes e associações tinham oferecido.

O anúncio publicado no jornal concorrente valera a pena. Com toda a certeza, foi o melhor investimento alguma vez feito na história do Diário As Beiras.

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Anúncio no Diário de Coimbra: no lado interior de uma página par

colaboradores

No dia 15 de Março, quando foi publicado o n.º 1, o Diário As Beiras já  tinha recrutado todos estes colaboradores

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Uma das páginas de Desporto da edição n.º 1 do Diário As Beiras

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O “editorial de Desporto” que redigi na edição n.º 1

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