19.4 C
Coimbra
Quarta-feira, 29 Junho, 2022
InícioDESTAQUECoimbra investiga causas celulares das doenças cerebrais

Coimbra investiga causas celulares das doenças cerebrais [António Piedade]

investigadoras

Manuela Grazina e Sandra Morais Cardoso

ANTÓNIO PIEDADE *

Existem no interior das células que compõem o nosso organismo uns organelos que são autênticas fábricas de energia: as mitocôndrias.

Precisamos que as mitocôndrias funcionem bem para termos a energia necessária para executar as mais variadas funções, assim como para garantir um bom estado de saúde. Quer isto dizer que se as mitocôndrias existentes num determinado órgão funcionarem mal, não há produção da necessária energia e esse órgão é afectado na sua função, potenciando um estado de doença.

Sabe-se que o mau funcionamento das mitocôndrias de algumas regiões cerebrais está envolvido no desenvolvimento de algumas doenças que afectam o cérebro. No Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC) existem vários grupos de investigação de excelência que se dedicam exactamente a estudar o papel das mitocôndrias em várias doenças neurodegenerativas.

wmitocondria

Mitocôndria

Testemunho disto são os dois exemplos que a seguir se reportam.

Recentemente, Sandra Morais Cardoso, investigadora do CNC, recebeu o Prémio Janssen Neurociências, no valor de 50 mil euros, pelo trabalho científico que permitiu identificar um novo alvo terapêutico na doença de Parkinson. A investigadora e a sua equipa estudaram as mitocôndrias de células cerebrais (neurónios) de doentes de Parkinson. Mostraram que o mau funcionamento das mitocôndrias compromete o normal funcionamento dos neurónios podendo ocasionar a sua morte.

Um outro grupo de investigação do CNC, este liderado por Manuela Grazina, que é também responsável pelo Laboratório de Bioquímica Genética (laboratório nacional de referência para o diagnóstico e investigação de doenças raras, em particular citopatias mitocondriais) da mesma universidade, está estudar de forma pioneira em Portugal a segunda principal demência mais comum a seguir à de Alzheimer: a Degenerescência Lobar Frontotemporal (Demência Frontotemporal – DFT).

Os primeiros resultados do estudo que envolve 70 doentes seguidos na consulta de Demências, coordenada pela neurologista Isabel Santana, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), revelaram profundas alterações ao nível de componentes moleculares específicos das mitocôndrias em comparação com um grupo controlo constituído por voluntários saudáveis.

A equipa coordenada por Manuela Grazina encontrou evidências bioquímicas da diminuição da actividade bioenergética mitocondrial em doentes com défice cognitivo. De forma simples, podemos dizer que os seus investigadores identificaram a «falha de energia» que pode ajudar a esclarecer os mecanismos envolvidos na doença, ou seja, permite perceber o que é que está errado nas mitocôndrias para, a partir daí, se desenvolverem formas de compensar ou reparar esse erro.

 * consultor científico no projecto Ciência na Imprensa Regional / Investigador na Universidade de Coimbra

Antonio-Piedade-faixa

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -

Most Popular

Recent Comments

Célia Franco on Redacção da TSF ocupada
Maria da Conceição de Oliveira on Liceu D. Maria: reencontro 40 anos depois
maria fernanda martins correia on Água em Coimbra 54% mais cara do que em Lisboa
Eduardo Varandas on Conversas [Vasco Francisco]
Emília Trindade on Um nascimento atribulado
Emília Trindade on Sonhos… [Mário Nicolau]
Emília Trindade on Sonhos… [Mário Nicolau]
José da Conceição Taborda on João Silva
Cristina Figueiredo on Encontro Bata Azul 40 anos
Maria Emília Seabra on Registos – I [Eduardo Aroso]
São Romeiro on Encontro Bata Azul 40 anos
Maria do Rosário Portugal on Ricardo Castanheira é suspenso e abandona PS
M Conceição Rosa on Quando a filha escreve no jornal…
José Maria Carvalho Ferreira on COIMBRA JORNAL tem novos colaboradores
Maria Isabel Teixeira Gomes on COIMBRA JORNAL tem novos colaboradores
Maria de Fátima Martins on Prof. Jorge Santos terminou a viagem
margarida Pedroso de lima on Prof. Jorge Santos terminou a viagem
Manuel Henrique Saraiva on Como eu vi o “Prós e Contras” da RTP
Armando Manuel Silvério Colaço on Qual é a maior nódoa negra de Coimbra?
Maria de Fátima Pedroso Barata Feio Sariva on Encarnação inaugurou Coreto com mais de 100 anos
Isabel Hernandez on Lembram-se do… Viegas?
Maria Teresa Freire Oliveira on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Maria Teresa Freire Oliveira on REPORTAGEM / Bolas de Berlim porta-a-porta
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Maria Madalena >Ferreira de Castro on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on INSÓLITO / Tacho na sessão da Câmara de Miranda
Ermenilde F.C.Cipriano on REPORTAGEM / Bolas de Berlim porta-a-porta
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on De onde sou, sempre serei
Carlos Santos on Revolta de um professor
Eduardo Varandas on De onde sou, sempre serei
Norberto Pires on Indignidade [Norberto Pires]
Luis Miguel on Revolta de um professor
Fernando José Pinto Seixas on Indignidade [Norberto Pires]
Olga Rodrigues on De onde sou, sempre serei
Eduardo Saraiva on Pergunta inquietante
mritasoares@hotmail.com on Hoje há poesia (15h00) na Casa da Cultura
Eduardo Varandas on Caricatura 3 (por Victor Costa)
Maria do Carmo Neves on FERREIRA FERNANDES sobre Sócrates
Maria Madalena Ferreira de Castro on Revalidar a carta de condução
Eduardo Saraiva on Eusébio faleceu de madrugada
Luís Pinheiro on No Café Montanha
Maria Madalena Ferreira de Castro on Eusébio faleceu de madrugada
José Maria Carvalho Ferreira on José Basílio Simões no “Expresso”
Maria Madalena Ferreira de Castro on Carta de Lisboa
Manuel Fernandes on No Café Montanha
Rosário Portugal on Desabamento na Estrada de Eiras
manuel xarepe on No Café Montanha
Jorge Antunes on Mataram-me a freguesia
António Conchilha Santos on Nota de abertura
Herminio Ferreira Rico on Ideias e idiotas!
José Reis on Nota de abertura
Eduardo Varandas on Caricatura
Eduardo Varandas on Miradouro da Lua
Célia Franco on Nota de abertura
Apolino Pereira on Nota de abertura
Armando Gonçalves on Nota de abertura
José Maria Carvalho Ferreira on Nota de abertura
Jorge Antunes on Nota de abertura
João Gaspar on Nota de abertura
Ana Caldeira on Nota de abertura
Diamantino Carvalho on Mataram-me a freguesia
António Olayo on Nota de abertura
Alexandrina Marques on Nota de abertura
Luis Miguel on Nota de abertura
Joao Simões Branco on Nota de abertura
Jorge Castilho on Nota de abertura
Luísa Cabral Lemos on Nota de abertura
José Quinteiro on Nota de abertura
Luiz Miguel Santiago on Nota de abertura
Fernando Regêncio on Nota de abertura
Mário Oliveira on Nota de abertura