MÁRIO MARTINS

Contrariamente ao que os dois diários que se publicam na cidade anunciaram com grande destaque na 1.ª página, o preço da água em Coimbra não baixou 5% em 2014. Nem pouco mais ou menos.
O que baixou 5% por cento foi uma das muitas taxas iníquas que agravam o consumo de água: a taxa popularmente conhecida como “aluguer do contador”. Actualmente tem outro nome, mas o princípio é o mesmo: todos pagam, mesmo um idoso internado durante anos num lar e que, por isso, todos os meses consome 0 (zero) metros cúbicos de água
A taxa era de 4,10 euros em 2013 e baixou para 3,90 euros no ano em curso. Ou seja, cada consumidor de água em Coimbra está a ter uma poupança de 20 cêntimos por mês.

O que os jornais não disseram, porque não o terão dito os responsáveis da Águas de Coimbra, é que da factura constam outras taxas e uma delas aumentou mais de 100%: a Taxa de Recursos Hídricos Saneamento (era de 0,011 e passou para 0,0238 por cada metro cúbico de água consumido)!
Um aumento de mais de 100%, nos tempos que correm, deveria merecer atenção tanto dos responsáveis da Águas de Coimbra como dos jornais que noticiaram o novo tarifário. Mas ninguém lhe ligou.

No caso concreto do consumidor que assina este texto, a situação no final do 1.º trimestre de 2014 é a seguinte:
BENEFÍCIO (descida do aluguer do contador): 3 x 0,20 = 0,60
PREJUÍZO (aumento da TRH Saneamento): 25 m3 x 0,0125 = 0,32
SALDO POSITIVO: 0,60 – 0,32 = 0,28
(Isto é: uma poupança mensal de cerca de 9 cêntimos. O que significa que só lá para Setembro é que o consumidor poderá ir tomar uma bica ao Café Santa Cruz com o valor do “desconto” da Águas de Coimbra. Mas se optar por tomar a bica no Parque Verde, só lá poderá ir em… 2015.)

Analisando por outro prisma, a empresa Águas de Coimbra beneficiou este consumidor concreto com 32 cêntimos no final de três meses. Como o consumidor já pagou facturas no valor de 72 euros, o referido benefício não chega a ser de 1%, quanto mais os anunciados 5%. Melhor: o benefício nem sequer é de 0,5% (meio por cento)! Mais concretamente: o “desconto” é de 0,4%.
Como um dia disse António Guterres, “é só fazer as contas”.

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