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Terça-feira, 23 Abril, 2024
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A propósito do preço da água em Coimbra

MÁRIO MARTINS

Duas “informações” sobre a actividade da empresa municipal Águas de Coimbra, publicadas nos últimos três meses, foram no mínimo muito estranhas. Por um lado, pela falta de adesão à realidade e, por outro, pelo que revelam sobre o jornalismo que se pratica actualmente em Coimbra.

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No dia 19 de Dezembro, os dois jornais diários que se publicam na cidade noticiaram, com grande destaque, na 1.ª página, que a água iria baixar 5% em Coimbra. A informação não era verdadeira, como demonstrei – logo no próprio dia – no blogue “Coimbra.com”. Dois dias depois, os jornais viram-se obrigados a esclarecer que, afinal, o que baixava (de 4,10 para 3,90 euros) era a “taxa de disponibilização do serviço de água”, que não é mais do que o antigo “aluguer do contador”. O que, obviamente, nada tem a vem com o preço do líquido, que se manteve inalterado.

Há pouco mais de uma semana, no Diário de Coimbra, o presidente da Águas de Coimbra afirmou que a empresa vendeu maior volume de água nos meses de Janeiro e Fevereiro deste ano e justificou o facto com a «redução das tarifas, que era uma promessa eleitoral do actual executivo».

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Não se consegue perceber a que «redução das tarifas» se refere Pedro Coimbra, o autor da frase, já que as alterações no tarifário foram apenas duas: o “aluguer do contador” baixou 5% e a “taxa de recursos hídricos – saneamento” aumentou mais de 100%.
Como escrevi noutro local, um consumidor médio (que utilize 10 metros cúbicos de água por mês) conseguiu, no 1.º trimestre deste ano, uma poupança de 9 cêntimos mensais. Como o metro cúbico custa 81 cêntimos, é impossível que o aumento do consumo possa ser justificado com qualquer descida de preço do líquido – que, repete-se, não existe, nem existiu.

Talvez as razões sejam outras.
O aumento do consumo de água poderá estar relacionado com o facto das famílias terem cada vez maiores dificuldades em equilibrar o orçamento e, por isso, recorrerem menos a restaurantes. Cozinham mais em casa, sujam mais louça e… gastam mais água.
Talvez utilizem menos o serviço das lavandarias. Lavam mais vezes a roupa em casa e… gastam mais água.
Talvez o facto de existir um maior número de desempregados, que naturalmente passam mais tempo na habitação, implique que… gastem mais água

É preocupante a simplicidade com que o responsável máximo da Águas de Coimbra justificou o aludido aumento de consumo.
Igualmente preocupante é a forma como se comportaram os jornais diários da cidade, não exercendo a sua função de contraditar.
A consequência é óbvia: ao aperceber-se dos erros, o leitor pode passar a desconfiar da informação que lhe é transmitida. Porque ninguém gosta de se sentir enganado. Eu, pelo menos, não gosto.

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