18.8 C
Coimbra
Domingo, 26 Junho, 2022
InícioDESTAQUE"Caso Maddie": enxovalho politiqueiro da PJ

“Caso Maddie”: enxovalho politiqueiro da PJ

ANTÓNIO B. MARTINS *

 

O caso Maddie, de “suja” memória, prossegue em ritmo novelesco e vergonhoso…

Tudo aconteceu no dia 3 de Maio de 2007, na conhecida Praia da Luz, entre Lagos e Vila do Bispo, quando a menina se encontrava de férias com os pais, Kate e Gerry McCanan e, ainda, com os seus irmãos, Sean e Amelie.

A onda de indignação que, na altura, “contaminou” a opinião pública portuguesa e alastrou aos cantos do Mundo, tomou conta de tudo e de todos, tendo concitado nessa pequena aldeia do Algarve as atenções de uma comunicação social ávida de “estórias” que encham noticiários e programas “cinzentos” e popularescos… ao jeito de se encherem “chouriços”.

A Polícia Judiciária montou o seu esquema de trabalho e nunca concluiu por um episódio que pudesse desaguar no(os) responsável(éis), por tão enigmático quão arrepiante desaparecimento.

Afastou-se, pelo menos, um inspector; movimentaram-se mundos e fundos; as autoridades portuguesas sofreram pressões; destacou-se a GNR; conjecturou-se sobre vários cenários; armaram-se vários “filmes”; indicaram-se prováveis culpados; encheram-se páginas de jornais, de cá e de outros lugares; gastaram-se horas em espaços radiofónicos e televisivos; montaram-se, especialmente os pais, campanhas, cá dentro e lá fora, com a visualização de uma foto da menina, na tentativa de a encontrar; criou-se um circo mediático; meteu-se o Papa na “estória”; e uns ou outros escarneceram no trabalho da nossa PJ.

Raras vezes se ouviram vozes – daquelas que, e nestes casos devem surgir, mesmo que por banda de quem deve ter mais tino – de protesto, de indignação, de repreensão, de estupefacção e de criminalização, por môr e via de um facto, aliás, o mais concreto e sustentável que este caso apresenta.

Os pais da Maddie, num desrespeito, numa desconsideração e numa postura nada digna do seu sentido de progenitores, deixaram, num quarto do complexo turístico onde estavam a passar férias, três crianças – menores – para se ausentarem, com uns amigos, também eles ingleses, para um restaurante a cerca de uns 5 minutos, a pé. E, mais grave, segundo testemunhas do próprio restaurante, ouvidas na oportunidade, beberam uns copos bem aviados, até porque, em Portugal, o vinho é bom, sabe melhor e o preço é, para ingleses, um convite a excessos…

Esta miserável quanto irresponsável postura, de pais e de um homem e de uma mulher, ambos ingleses, nunca mereceram a condenação social e dos tribunais. Uma negligência grosseira de quem deveria ser pai e mãe… Razões?

E ninguém… com poucas excepções, apontou a dedo estes pais que trocaram os filhos por uma jantarada bem “regada”… e que, agora, se fazem de vítimas, criticam a nossa Judiciária e movem influências, políticas e partidárias, para que, em solo luso, a polícia inglesa venha vasculhar terrenos, assaltar um pedaço do nosso Algarve, ditar leis, fazer de nós – portugueses – “gato-sapato” – e enxovalhar-nos, como Povo e como Nação.

Uma polícia de investigação criminal, a nossa Polícia Judiciária, que já tem 121 anos, uma folha de serviços invejável e das mais destacadas do Mundo, um “porte” sem manchas que a possam mediocrizar, um historial de sucessos e com poucas derrotas, um emblema de credibilidade, um trabalho sério e profícuo na maioria dos casos, uma acção em prol de Portugal e dos seus Cidadãos, um serviço de cuidadosas investigações e um labor certificado e reconhecido, dos seus elementos, não merece o tratamento de polé de que tem sido alvo quanto a este “mixordeiro” e inqualificável caso.

Ora, uma Polícia com este “crachá”, não pode nem deve ser enxovalhada como, agora, e recentemente, o foi. Deve é merecer o aplauso dos portugueses e de quem deve ou devia saber mandar, porque já chega de tanta intromissão estrangeira.

Quando certos “parafusos” politiqueiros, quer sejam do Reino Unido quer sejam de Portugal, metem as mãos e os pés em áreas que deveriam estar estanques e imunizadas contra esse tipo de “rubéola”, maligna para autoridades e departamentos do nosso Estado, tudo vai e cheira mal, porque devem existir órgãos – poderemos encaixar a PJ – que têm de estar fora de jogadas palacianas, as quais, e só por um acto impensado ou malabarista, acabam por ferir ou matar organizações e/ou departamentos que já votaram a causas muito nebulosas ou estranhas, muita da sua nobreza de trabalho e dedicação, e elevado saber e experiência.

Daqui faço um apelo: “English Police: go home!”.

Maddie-McCann

Maddie McCann: o seu desaparecimento continua a ser um mistério

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -

Most Popular

Recent Comments

Célia Franco on Redacção da TSF ocupada
Maria da Conceição de Oliveira on Liceu D. Maria: reencontro 40 anos depois
maria fernanda martins correia on Água em Coimbra 54% mais cara do que em Lisboa
Eduardo Varandas on Conversas [Vasco Francisco]
Emília Trindade on Um nascimento atribulado
Emília Trindade on Sonhos… [Mário Nicolau]
Emília Trindade on Sonhos… [Mário Nicolau]
José da Conceição Taborda on João Silva
Cristina Figueiredo on Encontro Bata Azul 40 anos
Maria Emília Seabra on Registos – I [Eduardo Aroso]
São Romeiro on Encontro Bata Azul 40 anos
Maria do Rosário Portugal on Ricardo Castanheira é suspenso e abandona PS
M Conceição Rosa on Quando a filha escreve no jornal…
José Maria Carvalho Ferreira on COIMBRA JORNAL tem novos colaboradores
Maria Isabel Teixeira Gomes on COIMBRA JORNAL tem novos colaboradores
Maria de Fátima Martins on Prof. Jorge Santos terminou a viagem
margarida Pedroso de lima on Prof. Jorge Santos terminou a viagem
Manuel Henrique Saraiva on Como eu vi o “Prós e Contras” da RTP
Armando Manuel Silvério Colaço on Qual é a maior nódoa negra de Coimbra?
Maria de Fátima Pedroso Barata Feio Sariva on Encarnação inaugurou Coreto com mais de 100 anos
Isabel Hernandez on Lembram-se do… Viegas?
Maria Teresa Freire Oliveira on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Maria Teresa Freire Oliveira on REPORTAGEM / Bolas de Berlim porta-a-porta
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Maria Madalena >Ferreira de Castro on Crónica falhada: um ano no Fundo de Desemprego
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on INSÓLITO / Tacho na sessão da Câmara de Miranda
Ermenilde F.C.Cipriano on REPORTAGEM / Bolas de Berlim porta-a-porta
Eduardo Manuel Dias Martins Aroso on De onde sou, sempre serei
Carlos Santos on Revolta de um professor
Eduardo Varandas on De onde sou, sempre serei
Norberto Pires on Indignidade [Norberto Pires]
Luis Miguel on Revolta de um professor
Fernando José Pinto Seixas on Indignidade [Norberto Pires]
Olga Rodrigues on De onde sou, sempre serei
Eduardo Saraiva on Pergunta inquietante
mritasoares@hotmail.com on Hoje há poesia (15h00) na Casa da Cultura
Eduardo Varandas on Caricatura 3 (por Victor Costa)
Maria do Carmo Neves on FERREIRA FERNANDES sobre Sócrates
Maria Madalena Ferreira de Castro on Revalidar a carta de condução
Eduardo Saraiva on Eusébio faleceu de madrugada
Luís Pinheiro on No Café Montanha
Maria Madalena Ferreira de Castro on Eusébio faleceu de madrugada
José Maria Carvalho Ferreira on José Basílio Simões no “Expresso”
Maria Madalena Ferreira de Castro on Carta de Lisboa
Manuel Fernandes on No Café Montanha
Rosário Portugal on Desabamento na Estrada de Eiras
manuel xarepe on No Café Montanha
Jorge Antunes on Mataram-me a freguesia
António Conchilha Santos on Nota de abertura
Herminio Ferreira Rico on Ideias e idiotas!
José Reis on Nota de abertura
Eduardo Varandas on Caricatura
Eduardo Varandas on Miradouro da Lua
Célia Franco on Nota de abertura
Apolino Pereira on Nota de abertura
Armando Gonçalves on Nota de abertura
José Maria Carvalho Ferreira on Nota de abertura
Jorge Antunes on Nota de abertura
João Gaspar on Nota de abertura
Ana Caldeira on Nota de abertura
Diamantino Carvalho on Mataram-me a freguesia
António Olayo on Nota de abertura
Alexandrina Marques on Nota de abertura
Luis Miguel on Nota de abertura
Joao Simões Branco on Nota de abertura
Jorge Castilho on Nota de abertura
Luísa Cabral Lemos on Nota de abertura
José Quinteiro on Nota de abertura
Luiz Miguel Santiago on Nota de abertura
Fernando Regêncio on Nota de abertura
Mário Oliveira on Nota de abertura