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IOLANDA CHAVES *

 

Afinal, parece que foi mesmo a mãe (e sabe-se lá mais quem) que tramou o dito sequestro do pequeno Daniel, em Janeiro passado, na Madeira. Digo “foi mesmo” porque, na ilha, ouvi muita gente, à boca pequena, levantar suspeitas contra os pais do menino.

Passou-me o mesmo pela cabeça, mas o coração fazia-me sacudir as orelhas para não ouvir a voz da razão. Apontar o dedo a uma mãe ou a um pai é quase um sacrilégio – e percebe-se porquê. À partida, pai e mãe são o reduto sagrado dos filhos, não é suposto fazerem-lhes mal, pelo contrário. Não sou mãe, mas é esse o sentimento que a minha mãe me transmite; um amor incomensurável que a faz ter menos para que eu tenha o máximo que ela me pode dar.

Diz-se agora que só a polícia não viu o óbvio. Se viu ou não viu, não sei, mas acredito que suspeitaram da família do miúdo. No caso da Madeleine, o inspector Gonçalo Amaral teve essa ousadia e deu-se mal. Terá havido medo da parte das autoridades policiais no caso do Daniel?

Palpita-me que a polícia estava à espera de um deslize e esse deslize aconteceu quando os pais do Daniel se separaram; a mulher acusou o homem de violência doméstica, pegou nas crianças e foi viver com um novo companheiro. E, como diz o povo, “zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades”…

O que me chateia nisto tudo é saber que no meio desta história estão dois inocentes, o Daniel e a irmã, a Mariana, que, depois do dito sequestro, ficámos a saber que sofre de uma doença cardíaca grave (será que sofre mesmo? Já nem sei!).

Para bem dos miúdos, espero que as bur(r)ocracias relacionadas com o arranjo da casa onde moram com os avós sejam ultrapassadas, por parte da IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira, e elas possam ainda ter uma infância feliz, com o amor e carinho que lhes é devido.

Quando o Daniel desapareceu, e mesmo depois, levantou-se uma onda de solidariedade, na Madeira e no país. Espero que ninguém lamente o muito ou pouco que fizeram pelas crianças e que continuemos a fazer o possível por estas e por todas as outras crianças que por este mundo fora são vítimas da pobreza de espírito dos adultos.

Na mesma edição em que a detenção da mãe do Daniel é manchete, o Diário de Notícias da Madeira noticia que vai ser inaugurado, no próximo ano, na Região, um Centro de Medicina da Reprodução. A vida tem destas coisas. Uns, não sabem o que fazer com os filhos. Outros, passam a vida a querê-los. Nós todos, sociedade, temos o dever de nos preocuparmos com os filhos de uns e de outros, porque são eles o futuro da Humanidade!

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* IOLANDA CHAVES é jornalista. Em Coimbra trabalhou no “Campeão das Províncias” e no “Diário de Coimbra”

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