ANTÓNIO B. MARTINS *

O “Jornal de Angola” publicou, na terça-feira, dia 17 deste mês, um Editorial daqueles a que já nos habituou. São crónicas de escárnio e maldizer. São linhas a espalhar a divisão e a maledicência. São textos inflamados, seguidistas, encomendados, vómitos de excrescências malignas, mal olhados, palavras carregadas de venenos e mais o que a vontade de gente mixordeira pretende criar, em divisão…

Usando uma linguagem de sargeta, ataca, fere e tenta escarnecer no nosso País. Já nos habituámos a este tipo de trato de polé, porque quem escreve tem, no sangue, nas guelras e no íntimo, um ódio de morte a Portugal e aos portugueses. São linhas de rancor, de insultos gratuitos e de muitos complexos.

Só para se ter uma ideia passamos a dar nota de uma ou outra frase que ali é vertida: «Só Lisboa, orgulhosamente só, continua a dar guarida a todos os inimigos da democracia angolana».

Este Editorial (que surgiu no dia seguinte ao término da visita do PR de Angola ao Brasil, onde – segundo o mesmo texto – o reforço da cooperação entre os dois países conheceu mais aprofundamento) também reflecte sobre a visita que parlamentares da UNITA efectuaram a Lisboa, nomeadamente à Assembleia da República, insurgindo-se contra as passadeiras vermelhas que receberam esses representantes do Povo angolano. Depois de trazer numa outra linha a apologia ao Brasil, provoca e desmerece nas elites portuguesas, que diz «corruptas e ignorantes em relação a Angola».

Não me merece, este tipo de “folhetim”, mais apropriado a pasquins de “couve e eira”, a perca de muito tempo, porque, e como diz a sabedoria popular, “os cães ladram… mas a caravana continua a passar”. No entanto, merece, e da parte do Governo de Portugal – quem não se sente não é filho de boa gente – uma posição. Permita-me, Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, que lhe peça – caso não o tenha feito ainda – em meu nome  e de milhões de portugueses, que dê instruções ao nosso Embaixador em Luanda para apresentar um protesto formal, junto do Governo desse país, pelo conteúdo e sentido do Editorial ora publicado. Ficará , pelo menos, o registo para a História.

De resto, o “Jornal de Angola”, capitaneado por José Ribeiro, é a verdadeira “voz do dono”, portanto não diz mais do que o Governo lhe peça para transmitir ao Povo, sempre numa linha que não possa dar formação cuidada, a qual permita, a seu tempo, conceder maior Opinião Pública a pessoas que, na sua esmagadora maioria, caso não pertençam ao aparelho do partido do poder, vivem a tostões e a migalhas. Estão longe, mas muito longe, dos petrodólares e das jogadas de bastidores onde se confeccionam negociatas de biliões…

Aliás, o Sr. Director J. Ribeiro, em artigo de sua opinião, datado do pretérito dia 15, defende o direito do povo ao serviço público de informação. Ora, esta visão antiquada e bolorenta, encaixa, e perfeitamente, na visão de “aparelhos” de democracias descoloridas e não participativas…

O conceito de “serviço público” desvirtuou-se, prostituiu-se, desbaratou-se e faliu, porque carreirista, amarrado a poderes, entaipado por forças poderosas, agrilhetado por marionetes que vivem desses círculos e defendido por tachistas que, à força, têm de preservar cargos e lugares. Por isso, todo o tipo de fretes é possível, mesmo que, para isso, os fazedores hipnotizados de textos, artigos e crónicas de Órgãos da Comunicação Social “de serviço público” tenham de praticar piruetas sem rede… Enterrem o dístico “serviço público” e baptizem-no de “serviço comunitário”, dando-lhe nova roupagem, renovada imagem e uma serventia que tenha em atenção uma informação séria, desprovida de tirantes partidários e de facções governamentais. Que forneça, também, uma formação em (e com) discernimento, culta, educada, cívica e que nunca promova o ódio, o racismo, a divisão de pessoas e de povos, ajudando o Homem, essência da Humanidade, que se quer livre e saboreando a justiça social, a crescer e a exercer a plenitude da sua Cidadania…

O “Jornal de Angola” é um exemplo e um veículo desse serviço público, uma verdadeira correia de transmissão de que o Poder instalado, vai para uns 40 anos, precisa para se eternizar nas cadeiras de comando de um Povo e de uma Nação que ainda tem pesadelos do colonialismo e não sabe lidar com direitos e deveres, nem tão pouco sabe reconhecer que a vivência, em democracia, é um acto nobre de educação, de elevação, de cultura, de “norte”, de tolerâncias, de aceitar outras ideias, de promover diálogos e nunca guerras, de esquecer divisões, de enaltecer palavras de aproximação e de saber conviver em harmonia e paz…

Esta forma típica de morder sem açaime, de um Jornal que é voz de um dono todo poderoso que se tem mostrado acima de tudo e de todos, sem a humildade bastante para ser e saber ser conciliador, é a prova de que ainda existem muitas ovelhas tresmalhadas que teimam em exercer obscurantismos para justificar o que vão fazendo, a seu próprio bem…

Esta, como outras folhas de cicuta, são perniciosas às comunidades que servem e, também, são pólos geradores de vinganças e de ódios doentios, promotores de sociedades vingativas e sanguinárias, provocadoras de desacatos e identificam-se com os verdadeiros algozes que, por todo o lado, vão sacrificando gente da nossa gente, em fogueiras, em forcas, em prisões e em linhas de Jornais, em vozes de Rádios e em imagens televisivas, gente que, apenas e só, quer viver em paz, com pão, com água, com direito à saúde e à educação, e com a dignidade que todos devem merecer.

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