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ANTÓNIO B. MARTINS *

 

 TAP:  de braços caídos… a pensar nos interesses / Desafio a um referendo

 

Os transportes aéreos portugueses – AIR PORTUGAL/TAP – com mais de 60 anos de vida útil ao serviço do País, estão na mira de “jogadores” financeiros e sob os seus olhares de rapina.

Criados em tempos de fracos recursos económicos, com a determinação de homens que, apesar do mais e de tudo, sabiam gerir, a TAP tem sido uma marca de excelência do “mundo dos ares” e uma imagem de referência mundial da aviação comercial dos nossos dias.

Sofreu vicissitudes, impostas por crises do petróleo e financeiras; por políticas isolacionistas; por deliberações mais ou menos levianas; por decisores impreparados para administrar escalas, voos, aviões, rotas e pessoal; por administradores incompetentes que “aterraram” na companhia por simpatias político-partidárias; por sindicalistas vesgos e determinados em fazer cumprir as directrizes de politiquices bafientas; por rupturas laborais nem sempre de interesse nacional; por birras marginais à empresa; por “merchandisings” partidários e por tantas outras maleitas que foram corroendo uma TAP que se tornou um vazadouro de incongruentes gestores.

A TAP “entalou-se” financeiramente, esfumou-se nas vertigens de projectos sem substracto, esboroou-se nas oficinas do Brasil, perdeu “penas” com a globalização, fatigou-se com as teimosas reivindicações operárias, ficou refém de políticos, emparedou-se com um “handling” pesado e estafado, desfalece nos corredores lisboetas de advogados de negociatas, começa a desviar-se da rota inicial e traça destinos para mãos de interesses que, como os submarinos e outros “trabalhinhos”, vão deixar luvas a quem pegar no caso da sua venda… a preço de saldo.

A TAP tem, hoje, frequências semanais para o Brasil que são cobiçadas pelos gigantes dos ares. A TAP chega a destinos africanos que os abutres de grupos internacionais de Aviação pretendem. A TAP capitalizou a sua força na segurança mas – segundo fontes – não soube, a tempo, fazer a respectiva renovação de quadros nesse sector e começa a apresentar uma ou outra debilidade. A TAP deixou sangrar-se dos melhores pilotos para companhias de prestígio do nosso tempo. Mas a TAP é, queiramos ou não, um símbolo histórico de Portugal. A TAP é a nossa única bandeira que, todos os dias, circula livremente por quase todo o Mundo, numa acção de marketing sem precedentes. A TAP é uma das nossas mais reconhecidas imagens. A TAP é Portugal e os Portugueses…

Quanto valerá a TAP? Quanto valerá o seu património, incluindo todas as suas rotas, algumas quase em plena exclusividade? Quanto valerá algum do seu melhor capital humano? Quanto valerá por todos os destinos que sulca em muitos dos aeroportos do Globo? Quanto valerá a sua imagem?  E quanto valerá a sua marca? E a sua bandeira?

Tudo… e tudo sem preço, porque é de todos nós, portugueses. Foi difícil erguê-la. Foi complicado afirmá-la. Foi obra de gerações… por nuvens nunca dantes voadas. E não se pode nem deve desbaratar tão importante acervo histórico, patrimonial, profissional, empresarial, humano, técnico, administrativo, estimativo, etc. .

A TAP não é um qualquer veículo da Presidência da República, um qualquer castanheiro, uma qualquer fábrica de velas, um matagal a incendiar, um qualquer objecto ou uma simples folha de papel que se deite a voar… não é “coisa” de miúdos como os que, ultimamente, sem rota ou destino, não nos têm sabido governar.

A TAP é nossa, mesmo nossa… da nossa gente, de todos e de qualquer um. É das crianças, é dos mais velhos, é dos iletrados aos mais intelectualizados, é dos mais citadinos aos mais rurais, é dos mestres aos discentes, é dos homens e das mulheres de Portugal. É, também, dos honrados, dos esquerdistas aos da direita, dos conservadores aos mais progressistas, dos de ontem e dos de hoje… e, ainda, dos de amanhã. É, afinal, da Portugalidade.

O Sr. Seguro veio a terreiro defender uma TAP da Lusofonia. Bem-haja pela sua ideia… mas veja se a coloca em prática, arrebatando os outros principais países da mesma língua: Brasil, Angola e Moçambique.

Tanto e tão pouco por um referendo e, desta feita, os Srs. da política, começando pelo deputados da AR, não apostam nessa forma de auscultação dos interesses pátrios.

Ou será que os tais escritórios de advocacia lisboeta, entregues aos grandes senhores dessa corporação poderosa e intocável, já “cozinharam” o negócio para, e mais tarde, repartirem dividendos que encham bolsos de gente que teima em fazer empobrecer o país e o seu Povo?

A TAP, pela sua carga histórica e por todos quantos a serviram ao longo de mais de 60 anos, a maioria dos quais com abnegação, sacrifícios, labor, classe, alto profissionalismo e muita sabedoria, não pode ser vendida por “trinta dinheiros” em hasta pública de “feira da ladra” internacional.

Basta de venderem o País a retalho, como quem troca ouro por anéis de pechisbeque.

Apenas a ideia de António José Seguro será bem aceite, figurando como uma possibilidade de salvarmos a nossa TAP; ou a outra que foi colocada, recentemente, a circular que dava conta de que o Paes do Amaral, em associação com um ex-sócio da Continental Airlines, estaria interessado em adquirir a TAP. Do mal o menos…

Permitam-me – dirijo-me a todos quantos me possam ler e com a anuência do Sr. Director Mário Martins – que se possa lançar neste espaço de debate de ideias um inquérito nacional, ao qual se associará um manifesto, para se saber se o nosso Povo está interessado num referendo sobre o destino a dar à TAP.

Vamos a isso?  Fica nas nossas mãos e na nossa consciência, a dos portugueses.

 

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