sócrates-prisão

ANTÓNIO B. MARTINS *

Conheci, vai para alguns anos, um Sr. Sócrates que era vizinho de uns tios meus, de e em Lisboa.

Diziam as “más línguas” que tinha conversa para dar e vender. E, no perímetro habitacional, de onde tinha casa abastada e vivia sem temor pelo futuro, apresentava-se de porte elegante e trajava só de etiqueta(s)…

Um vizinho, o Zorrinho, acolitado pelo Seguro, um do 1.º esquerdo e o outro do 2.º direito, não alinhavam com a cara do Sócrates.

Mas, um dia, sem perceberem como era possível, acordaram com uma bombástica notícia: o vizinho Sócrates fora nomeado para lugar grande… gestor/administrador geral de uma quintinha.

Passados dias… passava pela malta e já não era o mesmo – afirmava a vizinhança. Passou a uma pose de “pavão”, de altivez… e deixou de saudar muitos dos que o conheciam, dali do Bairro.

Aparecia muitas vezes nas televisões a falar da tal quintinha, dos que nela trabalhavam, a prometer uma gestão mais rigorosa, a discursar com a eloquência de um orador de excelência.

Tinha “letra” e palavras para tudo e para todos… era o que, na antiga Grécia, se poderia apelidar de um Tribuno. Mas, os vizinhos Zorrinho, Seguro e outros não o tinham nessa conta, antes o carimbaram com um cognome: “vendedor da banha da cobra”. Outros, mais letrados e mais fadados a benesses da tal quintinha, como o Silva Pereira, o Alberto Martins e demais colaboradores, queixavam-se do azedume dos primeiros. Uma ou outra vez, em “plenários” do bairro, trocavam truculentas expressões…

Um dia, para espanto de uns e de outros, em zumbido popular, a notícia estala, como as castanhas em assadura branda, dando conta de que o Sr. Sócrates estava metido numa barafunda relacionada com um terreno da quintinha, o qual – dizia-se – tinha sido cedido para nele se fazer um enorme armazém, com tudo e de tudo…

No barulho ouvia-se falar de ingleses e de familiares do Sr. Sócrates, numa molhada de interesses e de bolsos cheios e, também, de corrupção e de “baralhos por baixo das mesas dos poderes”, centrados no eixo da quintinha.

Acresce que a quintinha começou a apresentar défice de gestão, com cofres vazios, dificultando a manobra corrente e, ainda, o pagamento de salários e de outras situações.

Vai de, depois de auscultação à massa trabalhadora e outras, apear o Sr. Sócrates e colocar no seu lugar uma outra “passada” de forma de gestão. Outro estilo e outras cores… com teimosia à mistura…

O Sr. Sócrates deixou de ser visto no bairro para o começarem a topar em Paris, capital francesa para onde – informou as suas amizades – foi fazer um mestrado.

Voltavam os vizinhos e alguns trabalhadores da quintinha, que nunca o estimaram, a cantar de galo e a explicitar bem alto: “ foi fazer a travessia do deserto para, não tarda, aparecer recauchutado… a preparar terreno”.

Lá regressou, passado o tempo dessa aprendizagem parisiense, a Portugal e, sem se saber como nem porquê, ter um lugar de destaque no canal 1 da televisão pública, paga por todos os homens da tal quintinha, ao domingo, a uma hora nobre.

Ao invés dos outros comentadores, de televisões privadas, o Sr. Sócrates fez do seu espaço televisivo na RTP1, uma “coisa” sua, mas muito sua. Não comentava… defendia-se do passado e atacava e contra-atacava quem, no pretérito, o tinha afrontado… e deixava recados, dificultando a vida da jornalista que tinha a responsabilidade do programa porque a interrompia bastas vezes e, em tom, severo quase a “abafava”…

Agora, o Sr. Sócrates… que teve esse percurso todo, sem nunca se mostrar humilde e, principalmente, simples, porque do Povo, foi detido para se averiguar se tem responsabilidades de fuga ao fisco e branqueamento de capitais.

Que a justiça cumpra a sua missão, mas sem as pressões que, as mais das vezes, os poderes políticos, económicos, sociais e outros atiram para a engrenagem dos Tribunais e dos seus actores. Dessa forma, a opinião pública da quintinha vai acreditar que a justiça é igual para todos e que se sustenta num princípio basilar: “A JUSTIÇA É UM DOS PRINCIPAIS PILARES DE UMA DEMOCRACIA CREDÍVEL E QUE RESPIRA SAÚDE…”.

Como nota final, e porque vem a propósito sobre todo este episódio da vizinhança dos meus tios de e em Lisboa, fica uma célebre frase do Filósofo e Pensador grego Sócrates: “É COSTUME DE UM TOLO, QUANDO ERRA, QUEIXAR-SE DO OUTRO. É COSTUME DO SÁBIO QUEIXAR-SE DE SI MESMO.”

[foto: Expresso Diário]

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